Compositor. Cantor. Humorista. Ator.
Filho de imigrantes italianos. Ainda muito jovem
em Jundiaí, passou a ajudar o pai no serviço
de cargas em vagões da E.F. São
Paulo Railway, atual E.F.Santos - Jundiaí.
Ainda em Jundiaí, trabalhou como entregador
de marmitas e varredor numa fábrica. Em
1924, transferiu-se com a família para
Santo André, onde exerceu as funções
de tecelão, pintor, encanador, serralheiro
e garçom, na casa do então Ministro
da Guerra, Pandiá Calógeras. Posteriormente,
foram para São Paulo, onde aprendeu o ofício
de metalúrgico - ajustador no Liceu de
Artes e Ofícios. Foi obrigado a abandonar
a função porque seus pulmões
ficaram afetados pelo pó do ferro esmerilhado.
Empregou-se em outras funções, entre
as quais a de vendedor.
Foi apelidado de "Noel Rosa paulista".
E um símbolo quase unânime do chamado
samba paulista/paulistano do Brás.
Entrou para a história da Música
Popular Brasileira como um dos maiores nomes da
cultura e da produção artística
de São Paulo, um originalíssimo
cronista musical da vida de sua cidade. Suas primeiras
composições foram "Minha vida
se consome", com Pedrinho Romano e Verídico
e "Socorro", com Pedrinho Romano. Tentava
a sorte em programas de calouros da Rádio
Cruzeiro do Sul de São Paulo. Em 1933,
foi aprovado num desses concursos, interpretando
o samba "Filosofia", de Noel Rosa. Iniciou
carreira artística a convite do cantor
Paraguaçu, que o levou a se apresentar
num programa semanal (de 15 minutos de duração),
onde era acompanhado por conjunto regional. Em
1935, teve sua primeira composição
gravada, a marcha "Dona boa", registrada
por Raul Torres na Columbia, composição
na qual colocou versos em música de J.
Aimberê. Essa marcha recebeu o prêmio
de primeira colocada em concurso de músicas
carnavalescas promovido pela Prefeitura de São
Paulo. Ainda nesse mesmo ano, adotou o pseudônimo
com o qual se tornaria posteriormente conhecido
pelo grande público.
Entre os anos de 1935 e 1940, atuou na Rádio
Cruzeiro do Sul como cantor e animador de programas
de discos. Em 1941, levado por Otávio Gabus
Mendes, transferiu-se para a Rádio Record,
onde fez radioteatro numa série chamada
"Serões Domingueiros". Por essa
época, trabalhava na emissora Osvaldo Moles,
responsável pela criação
de diversos personagens com linguajar tipicamente
popular, tipos que iriam influenciar profundamente
sua obra produzida nos anos subseqüentes.
Em 1943, foi formado o conjunto Demônios
da Garoa e passou a atuar com o grupo. Passaram
a animar a torcida nos jogos de futebol promovidos
por artistas de rádio no interior paulista.
Em 1945, participou do filme "Pif-paf",
e em 1946, do filme "Caídos do céu",
ambos dirigidos por Ademar Gonzaga.
Em 1951, gravou seu primeiro disco, na Continental,
com a marcha-rancho "Os mimosos "colibri",
de Hervê Cordovil e Osvaldo Moles e o samba
"Saudade da maloca", de sua autoria.
Nesse ano, seu samba "Malvina" foi premiado
em concurso carnavalesco em São Paulo e
gravado pelos Demõnios da Garoa e lançado
pelo selo Elite Special para o carnaval do ano
seguinte. Em 1952, gravou o "Samba do Arnesto",
de sua autoria e Alocin e o samba "Conselho
de mulher", de sua autoria, José B.
Santos e Osvaldo Moles. Nesse ano, fez com Osvaldo
França o samba "Joga a chave",
premiado em concurso carnavalesco da cidade de
São Paulo e gravado pelos Demônios
da Garoa. Em 1953, atuou no filme "O cangaceiro",
de Lima Barreto. Em 1955, os Demônios da
Garoa gravaram "Saudosa maloca" e "Sambo
do Arnesto", este, parceria com Alocim, músicas
onde firmou seu estilo peculiar de composição,
retratando o universo das camadas populares de
São Paulo, retratadas com linguajar caipira
e paulistano italianado. São essas as características
básicas do estilo que tornou Adoniram o
compositor mais popular da cidade de São
Paulo. "Saudosa maloca" foi logo depois
registrada pela cantora Marlene e é considerado
um dos seus maiores sucessos, a ponto de ser incluído
na coletânea "As 14 músicas
do século XX", produzido por R. C.
Albin no ano 2.000 para a E.M.I/Odeon. Ainda nesse
ano, os sambas "Conselho de muilher"
e "As mariposas" foram gravados com
grande sucesso pelo grupo Demônios da Garoa.
Em 1956, teve o samba "Iracema", outro
de seus grandes sucessos, gravado pelos Demônios
da Garoa na Odeon. O mesmo grupo gravou também
no mesmo períodoos sambas "Um samba
no Bixiga", "Quem bate sou eu",
com Artur Bernardo e "Apaga o fogo mané".
No mesmo ano, o grupo Os Modernistas gravou seu
samba "O legume que ele quer", parceria
com Manezinho Araújo. Em 1957, lançou
"Bom-dia tristeza", uma única
parceria com o poeta Vinicius de Moraes, cujo
esboço original de Vinicius lhe foi entregue
inicialmente pela cantora Aracy de Almeida, que
logo depois a gravaria. Em 1958, seus sambas "Pafunça",
com Osvaldo Moles e "Abrigo de vagabundos"
foram gravados pelos Demônios da Garoa.
Nesse ano, gravou os sambas "Pafunça",
com Osvaldo Moles e "Nois não usa
os bleque tais", com Tião. Gravou
também o samba "Pra que chorar",
de Peteleco. No lado A desse disco Paulo Augusto
gravou sua marcha "Dotô Vardemá
(Conheço muito)", parceria com Geralo
Blota e Raguinho. Em 1959, mais um samba gravado
pelos Demônios da Garoa: "No morro
da Casa Verde".
Em 1960, fez em parceria com Osvaldo Moles o
samba "Tiro ao Álvaro" gravado
posteriormente por ele e Elis Regina. Por essa
época, Osvaldo Moles escreveu especialmente
para ele o programa "História das
malocas", inspirado no samba "Saudosa
maloca", programa no qual interpretou com
sucesso o personagem "Charutinho", criado
por Moles. A "História das malocas",
foi apresentada até 1965 na Rádio
Record, chegando a ser levada para a televisão.
Em 1965, os Demônios da Garoa lançaram
aquele que seria seu maior sucesso, o samba "Trem
das onze", composição que recebeu
prêmio no concurso de músicas de
carnaval no quarto centenário da fundação
do Rio de Janeiro. A música marcaria definitivamente
a carreira do compositor, tornando-se um verdadeiro
hino da cidade de São Paulo, com repercussão
em todo o país. Participou de novelas e
programas humorísticos da TV Record de
São Paulo, como "Papai sabe nada"
e "Ceará contra 007". Em 1968,
participou da I Bienal do Samba com "Mulher,
patrão e cachaça", com Osvaldo
Moles. Atuou como radioator e também em
telenovelas especialmente na Rádio e Tv
Record.
Em 1973, atuou na primeira versão da novela
"Mulheres de areia", de Ivani Ribeiro
na TV Tupi. Em 1974, lançou seu primeiro
LP individual, registrando antigas e novas composições
como "Abrigo de vagabundos", "As
mariposas", "Apaga o fogo Mané",
"Trem das onze", "Saudosa maloca"
e "Iracema". No ano seguinte, lançou
o LP "Adoniran Barbosa" interpretando
entre os sambas "No morro da casa verde",
"Vide verso meu endereço", "Tocar
na banda", "Malvina", "Não
quero entrar", "Samba italiano",
"Triste margarida (Samba do metrô)",
"Mulher, patrão e cachaça",
"Pafunça", "Samba do Arnesto",
"Conselho de mulher" e "Joga a
chave". Nos últimos anos de sua vida,
suas apresentações tornaram-se esporádicas,
sempre restritas à região metropolitana
de São Paulo, com acompanhamento do Grupo
Talismã. Em 1977, apresentou-se no Teatro
13 de Maio, no Bairro paulista do Bixiga juntamante
com os sambistas cariocas Cartola, Nelson Cavaquinho,
Zé Kéti, Mário Lago e Carlos
Cachaça.
Em 1980, a EMI-Odeon lançou o LP "Adoniram
Barbosa" em comemoração aos
70 anos de vida do compositor. Para a ocasião,
foram convidados inúmeros intérpretes,
entre os quais, Elis Regina, Clara Nunes, Clementina
de Jesus, Djavan, Carlinhos Vergueiro, entre outros,
contando com a direção de Fernando
Faro. Nesse disco, Elis Regine cantou "Tiro
ao Álvaro", com Osvaldo Molles; Roberto
Ribeiro "Bom dia tristeza", com Vinícius
de Moraes; Djavan, "Agenta a mão,
João", com Hervé Cordovil;
o grupo MPB 4, "Vila Esperança",
com Marcos César; Clementina de Jesus e
Carlinhos Vergueiro, "Torresmo à milanesa",
com Carlinhos Vergueiro e Gonzaguinha, "Despejo
na favela". Nessa época, dividiu com
Radames Gnatali a trilha sonora do filme "Eles
não usam black-tie". Em 1984, foi
lançado pelo selo Eldorado o LP "Documento
inédito" onde aparecem raridades como
o prefixo do programa "Fino da bossa",
com ele e Elis Regina, além de falas suas
entrecortadas por músicas como "Só
tenho a ti", parceria com a poetisa Hilda
Hilst, "Fala Mathilde", "Rua dos
Guimarães" e outras.
Em 1996, foi lançado pela Editora Globo
um CD e o fascículo "Adoniram Barbosa",
dentro da "Coleçãp MPB - Compositores".
No ano 2000, o violeiro Passoca lançou
CD com composições inéditas
do autor de "Trem das Onze" nas comemorações
dos 90 anos de nascimento do sambista. Suas composições
inéditas foram guardadas por Juvenal Fernandes,
escritor amigo do sambista, que trabalhou em editoras
de música e tem um baú com 90 letras
do compositor. Em 2001, a gravadora Kuarup lançou
o CD "Adoniram ao vivo", último
show do compositor gravado no extinto Ópera
Cabaré, de São Paulo, em 1979. Foi
homenageado pelo cantor baiano e do movimento
tropicalista Tom Zé no disco "Estudando
o samba" na música "Augusta,
Angélica e Consolação".
Em 2002, foi lançado o livro "Adoniran,
dá licença de contar...", pela
editora 34 com um rico material iconográfico,
autoria de Ayrton Mugnaini Jr. No mesmo ano, foram
lançados mais dois livros sobre a vida
e a obra do compositor "Adoniran Barbosa
- O poeta da cidade", de Francisco Rocha
e "Adoniran - Se o senhor num tá lembrado",
de Flávio Moura e André Nigri.
A canoa virou (c/ Raimundo Chaves) • A
louca chegou (c/ Henrique de Almeida e Rômulo
Pais) • Abrigo de vagabundo • Abriu
a janela (c/ Frederico Rossi) • Acende o
candieiro • Adeus, escola... (c/ Ari Machado
e Nilo Silva) • Agora podes chorar (c/ Nicolini)
• Agora vai (samba) • Água
de pote (c/ Osvaldo França e Antônio
Lopes) • Agüenta a mão, João
(c/ Hervé Cordovil) • Ai, Guiomar
(c/ Osvaldo Moles) • Apaga o fogo, Mané
• Aqui, Gerarda (c/ Ivan Moreno e Joca)
• Arranjei outro lugá (c/ Antônio
Rago) • As mariposas • Asa negra (c/
Hélio Sindô) • Bananeiro (c/
Joca e Geraldo Blota) • Bem eu quisera •
Bom-dia, tristeza (c/ Vinícius de Moraes)
• Camisolão (c/ Rômulo Pais
e Jota Sandoval) • Chá de cadeira
(c/ Jucata) • Chega (c/ José Marcílio)
• Chora na rampa • Chorei, chorei!
(c/ J. Nunes e Antônio Rago) • Comê
e coçá, é só começá
(c/ Geraldo Blota) • Como vai, Dr. Peru?
• Conselho de mulher (c/ Osvaldo Moles e
João B. dos Santos) • Decididamente
(c/ Benedito Lobo e Marcolino Leme) • Deixa
de beber (c/ Chuvisco e J. Nunes) • Despejo
na favela • Dona boa (c/ J. Aimberê)
• Dor-de-cotovelo (c/ Osvaldo Moles) •
Dormiu no chão (c/ Antônio Rago)
• Dotô Vardemá (c/ Antônio
Rago e Geraldo Blota) • É fogo (c/
Hervé Cordovil) • Escada da glória
(c/ Edmundo Cruz) • Eu quero ver, quem pode
mais (c/ Rolando Boldrim) • Eu vou pro samba
• Garrafa cheia (c/ Benedito Lobo e Antônio
Rago) • Gol do amor (c/ Blota Júnior)
• Grande Bahia (c/ Avaré) •
Iracema • Já fui uma brasa (c/ Marcos
César) • Já tenho a solução
(c/ Clóvia de Lima) • Jabá
sintético (c/ Marcos César) •
Joga a chave (c/ Osvaldo França) •
Juro amor (c/ Joca e Ivã Moreno) •
Luz da Light • Malandro triste (c/ Mário
Silva) • Malvina • Mamão (c/
Paulo Noronha e Raimundo Chaves) • Marcha
do camelô (c/ Césio Negreiros) •
Minha roseira (com Dedé) • Minha
vida se consome (c/ Pedrinho Romano e Verídico)
• Mulher, patrão e cachaça
(c/ Osvaldo Moles) • Não me deu satisfação
(c/ Nicolini) • Não precisa muita
coisa (c/ Benito de Paula) • Não
quero entrar • No morro da Casa Verde •
No silêncio da noite (c/ Orlando de Barros)
• Nóis dois não usa breque
tai • Nós viemos aqui pra quê?
• Nunca mais faço Carnaval •
O caminhão do Simão • O casamento
do Moacir (c/ Osvaldo Moles) • O legume
que ele quer (c/ Manezinho Araújo) •
O que foi que eu fiz? (c/ Osvaldo França)
• Olhando pra lua (c/ Hervé Cordovil)
• Pafunça (c/ Osvaldo Moles) •
Perdoei • Pode ir em paz (c/ Hervé
Cordovil) • Por onde andará Maria?
(c/ Antônio Rago) • Pra esquecer (c/
Nicolini) • Prova de carinho (c/ Hervé
Cordovil) • Quando te achei (c/ Hilda Hilst)
• Quem bate sou eu! (c/ Artur Bernardo)
• Quem é vivo sempre aparece (c/
Corvino) • Quero casar (c/ José Mendes
e Arrelia) • Sai água da minha boca
(c/ Osvaldo Moles) • Salve, oh! Gilda! (c/
Armando Rosas) • Samba do Arnesto (c/ Alocim)
• Samba italiano • Saudosa maloca
• Se meu balão não se queimar
(c/ Nicolini) • Segura o apito (c/ Osvaldo
Moles) • Senta, senta • Simples motivo
• Socorro (c/ Pedrinho Romano) • Tá
moiado (c/ Rômulo Pais e Dedé) •
Terreque, terreque (c/ Avaré e Antônio
Rago) • Teu orgulho acabou (c/ Pedrinho
Romano) • Teu sorriso (c/ J. Moura Vasconcelos)
• Tiritica (c/ Manezinho Araújo)
• Tiro ao Álvaro (c/ Osvaldo Moles)
• Tô com a cara torta (c/ Ivo de Freitas)
• Tocar na banda • Trem das onze •
Três heróis (c/ Rolando Boldrim)
• Um amor que já passou (c/ Frazão)
• Um samba no Bixiga • Velho rancho
(c/ René Luís) • Vem, amor
(c/ Geraldo Blota) • Vem, morena (com Antônio
Rago) • Véspera de Natal •
Vide verso meu endereço • Vila Esperança
(c/ Marcos César) • Você é
a melhor do mundo (c/ Raimundo Chaves) •
Você tem um jeitinho (c/ Nicolini)