ESTÁCIO - O BERÇO DO SAMBA
O bairro do Estácio de Sá é
indiscutivelmente o berço do samba carioca. Centro da grande
"malandragem" do principio do século, vizinha
da Praça Onze e do Mangue (Zona), foi passagem de todos
os grandes sambistas que, na época, surgiram no Rio - da
Mangueira à Portela, passando pelos compositores e cantores
do rádio que, em pleno desenrolar da "década
de ouro do samba", lá iam garimpar a base de seu repertório,
sambas maravilhosamente eternos. Francisco Alves e Mário
Reis são exemplos.
O início resume-se nas destacadas figuras de Mano Edgar,
Bucy Moreira, Alcebíades Barcelos (Bide), e seu irmão
Rubens, Armando Marçal, Heitor dos Prazeres, Ismael Silva,
Baiaco, Brancura e Juvenal Lopes ("Nonel do Estácio
ou” Juju das Candongas “), que mais tarde se mandou
para a Mangueira, onde chegou à presidência”.
Foi ali que surgiu a "Deixa Falar", considerada a Primeira
Escola de Samba. Criada no dia 12 de agosto de 1928, a sede improvisada
ficava no porão da casa número 27 da rua do Estácio,
onde morava o fundador, Ismael Silva, líder dos sambistas
do bairro. Como nas imediações funcionava uma Escola
Normal, que formava professores para a rede escolar, Ismael Silva
resolveu batizar seu grupo de Escola de Samba, já que formaria
professores de samba. A Deixa Falar durou pouco tempo, desfilando
na Praça Onze nos carnavais de 1929, 1930 e 1931, e nem
chegou a participar do primeiro concurso das Escolas de Samba
do Rio, organizado em 1932 pelo Jornal Mundo Sportivo, pois preferiu
passar para a categoria de rancho carnavalesco. No entanto, foi
uma referência para o surgimento das outras Escolas.
"A maioria era 'almofadinha' e não se misturava muito".
Quem saía dentro da corda mesmo eram o baliza Gaguinho,
a porta-estandarte Caboquinha, o Chico Macaú que encourava
barricas de mate ou de vinho para a bateria reforçada do
Bloco da Carestia, em cuja casa havia Umbanda, Congo e Caxambu
e a gente que vinha dos trabalhadores do cais, operários,
artesãos, gráficos e ambulantes aos quais se juntavam
malandros, cafetões e boêmios em geral.
Entre as cabrochas: Tiana do Nabo, Anastácia do Nino, Celeste,
Rosália, Odetinha, Agripina, Julieta, senhoras de respeito
que faziam o coro de canto ou a fila de baianas. Entre os malandros
batuqueiros, Bujú Velho, Gaguinho, Paulo Grande, o Chorro,
Dadá Mulato, Alemãozinho, Neca Bonito e o maior
malandro de todos os tempos do Estácio, Nino da Anastácia.
Tinha ainda os mais esquecidos, os importantíssimos homens
da corda como Jorge Burundú (da "Cada Ano Sai Melhor"),
João Pimentão (da "Paraíso das Morenas"),
e o Milú (da "Recreio de São Carlos"),
gente que fazia questão de se expor, brigar, sofrer e carregar
aquela estiva toda, ida e volta.
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