A gravação do CD/DVD de Diogo Nogueira
no Teatro João Caetano, foi uma das mais
belas amostras da revitalização que
o samba pode proporcionar. Um grande teatro, com
uma ótima acústica por sinal, músicos
de primeira linha, cenários ornamentados
com motivos afros, platéia de celebridades,
enfim, tudo emoldurando o principal: a voz e o repertório
afinados desta nova aquisição da gravadora
EMI Music, o cantor e compositor Diogo Nogueira.
Diogo não tem a pretensão de ser comparado
ao pai, nem poderia, repetir o feito de João
Nogueira, é comparável a um filho
de um grande jogador de futebol repetir as jogadas
do pai. E o mesmo que acontece com outros grandes
nomes do samba, são únicos e inimitáveis
tais como Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Monarco,
Candeia, Cartola, bem a lista é (quase) interminável.
Mas, sua voz e o timbre característico do
pai, o eleva a um patamar um pouco acima dos demais
lançamentos de samba ultimamente. Talvez
precise de mais presença de palco, mais tarimba
e domínio de cena, mas isso o tempo ensinará.
Um dos momentos mais felizes do show, que sairá
em DVD com lançamento previsto para setembro,
é o encontro com outro filho de gênio
da MPB, Marcel Powell, filho de Baden. Talvez ali
estivéssemos presenciando uma volta ao tempo,
como se reencarnassem, ou para usar outro chavão,
as interpretações ficaram “tal
pai, tal filho”. Tudo porque o violão
de Marcel é idêntico ao do pai, preciso,
virtuoso, e com a alma dos grandes violonistas de
serestas, gênero tão esquecido pelas
capitais, mas ainda incansável e dolente
pelo interior do Brasil afora. A execução
de “Violão Vadio” fez por merecer
aos dois jovens a responsabilidade em carregar os
sobrenomes dos pais, que de onde estiverem, estão
com certeza, orgulhosos, tanto como os nossos pais
ficavam quando fazíamos por merecer o carinho
e a aprovação por um dever realizado.
O lançamento de estréia já
com disco e dvd ao vivo traz consigo a idéia
de um risco – e também de compensação,
já que não há nenhum dvd de
João Nogueira disponível no mercado
- e ainda uma novidade, já que nos últimos
tempos, só quem teve este privilegio de aparecer
em disco de estréia ao vivo foi ninguém
menos que Marisa Monte, uma recordista de vendas
de cds.
E cabe a Diogo Nogueira, arrebatar as rádios
e os corações dos amantes do samba
para iniciar uma carreira que a julgar pelo seu
entusiasmo na gravação, ou nas participações
em rodas de samba pela cidade, vai valer, e muito,
a pena. |