Dona Ivone Lara, a grande dama do samba, dizia em seu samba, Bodas de Ouro, que
“O samba me deu muito mais do que eu quis
O samba me fez bastante feliz/ Até bodas de ouro com o samba eu já fiz
Canto pra comemorar/ E vou dizer mais se eu pudesse voltar
Casava outra vez com o samba”
Dorina ainda não chegou aos 50 anos de casamento com o samba, mas celebra os 15 anos cheia de estória pra contar.
Conheço a Dorina dos tempos em que ela cantava na Casa da Mãe Joana, em São Cristóvão, nos anos 90. E desde então venho acompanhando o crescimento talentoso dessa cantora, que agora vive em Santa Teresa, mas nunca abandonou o subúrbio, onde ela criou sua raiz nos tempos do bloco Boêmios de Irajá.
Contrariando sua mãe, torcedora do Império Serrano, Dorina migrou pra Portela onde se juntou aos amigos Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila, para mais tarde criarem os Suburbanistas, que encerrou seus trabalhos com a morte do Da Vila, mas mantém o bloco na rua onde o poeta nasceu.
Para provar todo seu talento, arrebatou em 1996, em seu primeiro disco, intitulado, Eu Canto Samba, o prêmio Sharp na categoria Revelação Samba. No repertório, autores consagrados, como Paulinho da Viola (a faixa-título), Chico Buarque ("Tem Mais Samba"), veteranos do samba de raiz, como Mijinha ("Sentimentos") e outros compositores ligados ao samba, como Délcio Carvalho, Paulo César Feital e Altay Veloso.
Depois disso, ela participou do disco Coisas Nossas (tributo a Noel Rosa) e do CD Samba de raiz, interpretando Eu canto samba, de Paulinho da Viola.
No ano de 1997, fez o show "De Paulo a Paulinho", no qual contava um pouco a história da Portela por meio das músicas de Paulo da Portela, Monarco e Paulinho da Viola. No mesmo ano, fez uma temporada no Teatro João Caetano a convite de Zeca Pagodinho. No ano seguinte, participou do projeto "Novo Canto", no Terraço Rio Sul, tendo como padrinho o próprio Zeca.
Em 1999 apresentou o show "Carta de poeta", no qual homenageava os 50 anos de Paulo César Pinheiro.
Em agosto de 2000 lançou no Teatro Rival do Rio de Janeiro seu segundo disco, Samba.com. Em 2002 iniciou o programa "Dorina.Samba" na Rádio Viva Rio AM.
Em 2003, ela conquistou o prêmio de "Melhor Intérprete no Festival Fábrica do Samba", com a composição Menino de Rua, de autoria de Chico Nataratti. Nesse ano ela gravou Sambas de Almir.
Em 2004 chegou a ser indicada para o "Prêmio Tim" na categoria "Melhor Intérprete de Samba”. No ano seguinte comemorou 10 anos de carreira lançando o disco Tem mais samba,
Em julho de 2007, ela lançou o CD O violão e o samba, onde, acompanhada de feras como Cláudio Jorge e Carlinhos 7 Cordas, o trio canta sambas nos quais o violão é o personagem principal. Em outubro de 2008, seu sexto trabalho independente, o CD Samba de Fé, surge no mercado com participações especiais de Beth Carvalho e Mauro Diniz. Um show a parte! Samba de Fé é disco de garra, bancado pela cantora e captado ao vivo em show no Trapiche Gamboa (RJ) com direção musical de Mauro Diniz e roteiro conduzido por Túlio Feliciano.
Para o próximo ano, ela pretende gravar um CD só com músicas inéditas, garantia de mais um sucesso nas prateleiras.
A cantora independente, está comemorando os seus quinze anos no Carioca da Gema, um bar da Lapa que é responsável pelo retorno do samba. Agora acompanhada do grupo Samba com Atitude, ela reafirma sua paixão pelo samba e o site Berço do Samba espera estar junto nas bodas de prata.
Vejam um vídeo no qual Dorina canta O X do Problema de Noel Rosa, sobre uma paixão adquirida no Morro de São Carlos, por uma meretriz da Zona do Mangue.
"Agradecimentos à Ana Crys, Flávio Loureiro, Cristiane , Laenio e Grupo Samba com Atitude."