Terça
feira gorda, sol escaldante nas ladeiras do
morro de São Carlos e o povaréu
começa a se aproximar do carro de som.
A galera do Muvuca oferece um churrasco pra
comunidade. Os bares estão lotados.
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Porque
só quem gira a pé no morro sabe
o que eu corro por aí pra essa peteca
não cair. Meu samba não vai
cascatear
Toda essa agitação é
por conta de mais um desfile que homenageia
um ilustre morador do bairro do Estácio:
Aldir Blanc! Blanc na pele, mas em bom brasileiro!
Os heróis do bem prosseguem
na brisa na manhã, invadem
o calor da tarde, e aguardam a brisa noturna.
Os instrumentos se afinam sozinhos porque
no São Carlos eles não perdem
o tom. Alguém me lembrou Carlitos!
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Alguém me serve um copo de cerveja. Amigo é pra essas coisas! Escorrego a gelada pra dentro de mim e observo
o Cristo sorrindo. Eu não
resisto aos botequins mais vagabundos! Definitivamente, essa merda faz
parte de mim!
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Reguei
o Salgueiro pra muda pegar outro alento,
e aguardei a chegada dos convidados. Tijucanos
que pensam ser ipanemenses, mas com
um coração que cabe toda favela! |
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| Diz um diz que viu e no
balaio viu também um pega lá no
toma-lá-dá-cá do samba. Toca o primeiro surdo, já dizia Paulinho
Rezende, “Você chora na avenida
pro meu povo se alegrar” é o sinal
que a festa está pra começar. Carnaval, missa campal do povo brasileiro!
Eu nunca sei ao certo se nós vestimos
ou despimos as fantasias, pois já não
sei mais quando sou o palhaço. |
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A comunidade
canta! O pipocar das matracas dá lugar
ao repique, ao tamborim e as caixas de guerra.
Essas sim, prazerosas.
Último dia de carnaval, mas ainda parece
o primeiro. Como eu gosto dessas datas! O
samba é tudo que eu sei e Momo é
o único rei que amei.
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Adorei quando
me convidaram pra participar ativamente dessa
muvuca. Os outros homenageados, ainda viviam
no morro, mesmo que para ver os amigos, com
exceção do Gonzaguinha, que
já havia nos deixado, mas o Aldir,
sem dúvida, é o que mais faz
parte da minha cultura. Cresci admirando suas
composições. E de repente, me
encontro na oportunidade de poder homenageá-lo.
Obrigado, Simone, Celinho, Vanessa e Filipe,
por essa oportunidade. |
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Desço
as ladeiras pra buscar a família tão
alegre do Aldir. E eles sobem o morro, como
se fossem as escadas dos apartamentos da Muda. Eu vou pro Estácio, negão!
parece fácil, né não...
Mariana, filha do mestre, recebe e agradece
nossas homenagens, já que Mari, a esposa,
emudece de emoção. Meu
passado faz parte de mim.
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E o presidente
Celinho, autoriza o desfile principal no Morro
de São Carlos, berço do samba! |
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| E fez-se a alegria! Oi,
que foi só pegar no cavaquinho pra nego
bater! |
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“Uma
homenagem verdadeira
Pra quem é parte da cultura brasileira
Dois pra lá, dois pra cá, nesse
balanço
O Muvuca vai passar!”
(Samba de Luis Sapatinho, Leandro Santos e
César Nascimento)
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| A comunidade desce as
ladeiras e ganha as ruas do Estácio |
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Um riso escancarado
de branco parafina na boca tangerina |
Rio de Janeiro,
favelas no coração |
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Fica
ao meu lado, São Jorge Guerreiro com
tuas armas. |
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E que momento
mais lindo ao passar pela Rua Maia Lacerda
e parar embaixo da janela do Seu Cecéu,
pai do Aldir, que após receber as reverências
da nossa bateria, correu ao telefone para
avisar ao homenageado. E o tempo se
vai com inveja de mim... |
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De
cuíca eu manjo, também vou de
banjo. Fiz das avenidas meu salão...
Fidalguia esbanjo e danço com meu anjo.
Eu sou da velha guarda, meu irmão! |
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| Eu hoje me embriagando
de whisky com guaraná ouvi tua voz sussurrando
são dois pra lá, dois pra cá! |
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| Eu tento apenas mostrar
cantando o lado oculto do meu coração |
E assim se
deu mais um dia de folia nas ruas do Estácio. Alguém mandou, mandou parar
a cuíca é coisa dos home! Azar,
a esperança equilibrista sabe que o
show de todo artista tem que continuar...
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Muito
obrigado Aldir!!!! |
Fotos: Solange
Bechara
Frases em negrito: Composições de Aldir Blanc e alguns
tantos parceiros
Cobertura: www.bercodosamba.com
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| Veja
também o que Aldir Blanc publicou em
sua coluna no Jornal do Brasil |
| E não
deixe de ler a entrevista feita pelo jornalista
Cléber Cordeiro |
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