Do Estácio começaram a aparecer agremiações
mais organizadas. Dali surgiu o União Faz
a Força, usando as cores vermelha e branca
do América Futebol Clube e acompanhado por
conjunto de cavaquinho, violão, adufe, chocalho
e pandeiro. Faziam parte do União, entre
outros, Bide, Ismael Silva e Newton Bastos. Do União
surgiu, em 1928, o Deixa Falar, que se reunia na
Escola Normal e ensinava o samba. Já que
se encontravam numa escola e ensinavam o samba,
a agremiação foi batizada como Escola
de Samba. Seus integrantes não apreciavam
a forma do samba da época, ainda muito parecida
com o maxixe. Criaram, então, um novo formato
de samba e um novo instrumento de percussão.
De uma lata de manteiga de 20 kg, Bide inventou
o surdo: abriu os dois lados da lata, esticou por
cima um pedaço de papel de saco de cimento,
umedecido e ligeiramente esquentado, prendeu com
arame grosso. Estava criado o principal instrumento
de percussão da bateria. E foi Bide, também,
quem determinou a nova marcação do
samba, feita pelo surdo; foi Bidê quem determinou
como seria o samba da escola.
Até então, o samba tinha um refrão
e o resto era improvisado. Com Bide, o samba passou
a ter a segunda parte composta. O samba de hoje
e todos os gêneros dele derivados, são
o reflexo das modificações criadas
por Bide em 1928. O Deixa Falar transformou-se na
primeira Escola de Samba, a Estácio de Sá.
No Morro da Mangueira e arredores existiam blocos
e cordões integrados por figuras como Carlos
Cachaça e Cartola, entre muitos outros. Essas
agremiações, de nomes como Guerreiros
da Montanha e Trunfos da Mangueira e a exemplo da
maioria dos grupos carnavalescos da época,
haviam herdado dos entrudos a tradição
das brigas nas ruas. Em 1925 Carlos Cachaça
criou o Bloco dos Arengueiros que, embora não
tivesse propósitos muito pacíficos,
era um grupo menos dado às arruaças.
Carlos Cachaça passou a "brigar"
pela união dos grupos do Morro da Mangueira,
pelo fim das diferenças que, afinal, eram
semelhanças. Em 1929, da união dos
blocos e cordões do morro, nasceu o Grêmio
Recreativo Escola de Samba Estação
Primeira de Mangueira. A princípio tinha
poucos integrantes e só saiu às ruas
em 1930. Na ocasião, Sílvio Caldas,
grande amigo de Cartola, mandou fazer o primeiro
"surdo de verdade", com corpo de madeira
e couro de cabrito, e o deu de presente para a Mangueira.
A Portela usou de trapaça. A data de fundação
da Vai Como Pode, nome que todos conhecem como precursora
da Portela é de 1930. Porém, os portelenses
agora dizem que a escola é oriunda de outra
agremiação fundada em 11 de abril
de 1923.
Mas é a Vila Isabel quem quer causar a polêmica
maior! Fundada em 04 de abril de 1946, a escola
do Bairro de Noel, gosta de se proclamar como o
verdadeiro Berço do Samba, e recentemente
inaugurou uma casa de samba com esse nome. Além
é claro, do samba do Martinho, em que ele
quer “provar na avenida que o berço
do samba é em Vila Isabel”.
A Mangueira em seu livro histórico fala do
bairro do Estácio como verdadeiro fundador
das escolas de samba, citando inclusive, que a Deixa
Falar fez um desfile no Buraco Quente para ensinar
o novo ritmo.
Se o ritmo, o instrumento, os versos, os personagens
como Mestre-Sala, foram criados no Estácio,
não há como continuar essa discussão.
O verdadeiro Berço do Samba é no Estácio
de Sá! |