Um dos temas que mais tenho escutado nesses últimos
dias é sobre a força da comunidade
e o chão que ela carrega consigo para levantar
a avenida.
Qualquer pessoa que freqüente um pouco mais
as escolas de samba sabe que o trabalho da comunidade
é imenso. São faxineiros, costureiras,
pedreiros, cozinheiras. Etc.
Várias pessoas, que muitas vezes, apenas
por amor à escola, ajudam sem receber remuneração.
Em 2004, a Estácio de Sá foi rebaixada,
e a diretoria convocou toda a comunidade para participarem
de reuniões, buscando soluções
para aquele momento.
Os verdadeiros torcedores apareceram, enquanto os
aproveitadores se mandavam.
Aquele povo que tinha que ouvir nas ruas que a Estácio
iria virar bloco juntou dinheiro para organizar
feijoadas, festas juninas, centro cultural e tentar
reestruturar a escola.
E nesse momento, a comunidade era valorizada...
Até a chegada da trupe portelense.
Quando o dinheiro chegou, a comunidade não
se fez mais necessária. Servia apenas para
trabalho forçado.
As pessoas foram sendo substituídas sem nenhum
agradecimento. Todo aquele povo que trabalhou de
graça em prol da escola, era sendo trocado.
Ficando apenas os puxa-sacos de plantão.
Assim, saíram portas-bandeiras, carnavalesco,
assessor de imprensa, e torcedores.
A comunidade já não servia mais. A
não ser no barracão, no atelier, na
avenida empurrando carrinhos...
A coisa ficou de um jeito, que vi pessoas da comunidade
ficar sem fantasias, enquanto gente da Portela conseguiu
vaga em ala da NOSSA comunidade!
Na avenida, esse povo ainda acredita, e entra na
Sapucaí, com uma imensa dor no peito, mas
apaixonado pela Estácio de Sá.
Nós já vimos isso antes, a comunidade
se afastar da escola, e deu no que deu. Não
precisamos de reprise...
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