PIRAJÁ –
ESQUINA CARIOCA – UMA NOITE COM A RAIZ DO SAMBA
TRILHA DO SAMBA
Um bar com estilo carioca em São Paulo,
a princípio poderia parecer que não daria certo,
mas, o Pirajá não só deu certíssimo
como rendeu até um disco com a creme de La creme do
samba carioca, o clima ao vivo desta gravação
é diferente dos discos ao vivo mais produzidos, pois
capta bem o clima do show com simplicidade, sem muitos ajustes
ou plasticidades, o que as vezes num projeto ao vivo pode
fazer soar como num estúdio com a diferença
do ambiente e do burburinho do público.
Gravado em 99 o cd conta com ninguém mais, ninguém
menos do que: D. Ivone Lara, Beth Carvalho, Luiz Carlos da
Vila, Moacyr Luz, João Nogueira e Walter Alfaiate,
um timaço, infelizmente, dos seis hoje apenas três
ainda nos brindam com suas apresentações, ah,
de quebra ainda tem a participação de Nelson
Sargento.
A direção musical ficou a cargo do mestre Moa,
que pra variar arrebenta com sua competência habitual,
além de ser praticamente um embaixador do bar. Na banda
além do próprio Moa tinha no 7 cordas o exímio
Carlinhos sete cordas, Pedro Amorim (bandolim e cavaquinho),
Beto Cazes (percussão), Marcelo Moreira (percussão),
Gordinho (surdo), nos vocais tinha ainda Dorina e Teresa Cristina
que se prestar bem atenção em algumas faixas,
percebe-se até que a voz é das duas.
Na abertura da primeira faixa já se ouve todos em coro
cantando: “Me apaixonei, pela filha do macumbeiro, não
saio mais, da curimba, não saio mais do terreiro”
de Dunga emendando com “Patrão prenda seu gado”
de Pixinguinha, Donga e João da Baiana, para aí
então começar o instrumental e a primeira faixa
de fato, que é “Jogo Rasteiro” de Moacyr
Luz e Nei Lopes interpretada pelo próprio Moa que em
seguida vem com um de seus clássicos “Pra que
pedir perdão”, dele e de Aldir Blanc. Não
vou enumerar as 18 faixas, mas destaco “Minha Missão”
(João Nogueira e Paulo césar Pinheiro) que cantada
à capela pelo mestre João Nogueira é
de ouvir rezando e agradecendo aos céus por ter nascido
sambista, depois ele vem com “Espelho” da mesma
infalível dupla, que também dispensa comentários,
a cada frase que se ouve é de arrepiar quando se pensa
na história que envolve essa música. Luiz Carlos
da Vila dá uma ótima versão para “Além
da Razão” (Sombra, Sombrinha e Luiz Carlos da
Vila). Dona Ivone que na época ainda estava num bom
momento vocal canta uma dela que não é muito
conhecida, e que poderia facilmente figurar mais nas rodas
de samba, que é “Axé de Ianga (Pai maior)”.
Além disso, tem Beth Carvalho com “Geografia
Popular” (Edinho Oliveira, Arlindo Cruz, Marquinhos
de Oswaldo Cruz) e Não sou mais disso (Jorge Aragão
e Zeca Pagodinho).
Pra finalizar com um molho de chaves douradas todos cantam
Saudades da Guanabara (Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César
Pinheiro) outro grande clássico inesquecível
que encerra esse grande projeto apoteóticamente.
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